Já não escrevo há algum tempo, parece-me ser agora a altura ideal para falar um pouco mais da minha transformação.
Na ultima publicação, estava em vias de iniciar a minha dieta sólida. Aos poucos fui introduzindo mais alimentos, primeiro pedacinhos bastante pequenos e bem cozinhados e gradualmente fui introduzindo a comida normal.
Não foi muito fácil no inicio, pois as comidas raramente assentavam bem, toda a comida era demasiado pesada para o estômago. A carne mesmo que bem mastigada caía no estômago como uma pedra, os bróculos também não eram e ainda não são muito bem aceites, a sopa continua a ser a comida de eleição, embora a nutricionista tenha feito o reparo para não comermos apenas sopa só porque é mais fácil comer.
Passou a ser muito comuns "os entalos" e quase sempre ficar com um grande mau estar. Por duas ou três vezes vomitei devido a comer mais que a conta ou um pouco mais depressa, o estômago tornou-se muito selectivo e deita fora apenas aquele bocadinho de comida que entrou a mais, ou muitas vezes apenas a saliva que se vai engolindo devido à má disposição.
Aos poucos fui aprendendo de novo a comer e a adaptar-me a esta nova fase da vida e gradualmente foi-se tornando mais fácil.
Nesta fase é muito importante saber parar de comer, pois o cérebro continua gordo e consumista, com a tendência de querer comer sempre mais um bocadinho, ao primeiro sinal de alerta do estômago o melhor é mesmo parar, evitando assim as dores no estômago e os vómitos indesejados. Como me disse a endócrinologista: "você está certa que quer mesmo mudar? Vai ser operada ao estômago, não à cabeça..." o que se constata ser verdade. Será sempre uma luta cérebro/estômago, que só pode ser vencida quando ambos estiverem de acordo.
Com pouco mais de um mês retomei a minha actividade profissional, onde me tive de deparar com os típicos "caga sentenças", todos com mestrado e pós-graduação em dietas e muito entendidos em operações, sabendo muito mais sobre a matéria que nós ou até mesmo mais que do médico:
"Agora tens que ter cuidado com a boca..."
"Agora vê lá se não te deixas emagrecer demais..."
"Olha que fulana ou sicrana já emagreceu demais, que começa a parecer uma velha..."
Por vezes há que engolir em seco, sorrir e voltar as costas ou mudar de assunto.
Com dois meses de sleeve já havia perdido 17 Kg, que foi comemorado com a primeira caminhada "no mato" como eu gosto. Efectuei a "Rota da Cereja" no Fundão, foi ainda um bocadinho difícil por ter declives bastante acentuados mas cada vez mais sinto menos dificuldades, não me sentindo tão cansada principalmente nas subidas...
Penso que nestas fotos já se nota a diferença, não?
Dois meses depois:
A partir do quarto mês o cabelo começou a cair, como o Dr. Pedro já me tinha alertado e explicado,deve-se à falta de zinco e por o corpo sofrer uma mudança brusca devido à acentuada perda de peso. Liguei-lhe e ele receitou um complexo vitaminico "BariatricPlus", e retirou-me o protector gástrico que tomava desde a operação, visto me sentir bem e já não fazer sentido continuar a tomar.
Desde os quinze dias comecei a fazer caminhadas, no inicio cerca de 30 minutos e depois aos poucos fui aumentando gradualmente até fazer caminhadas no terreno, de 12 ou mais quilómetros. Para as complementar, em Outubro inscrevi-me no ginásio onde três a quatro vezes por semana iniciei a pratica de hidroginastica e hidrobike mantendo as caminhadas sempre que possível ou se o tempo o permitir, deslocar-me a pé para o serviço.
Entretanto já passaram seis meses, pelo caminho já ficaram 30 Kg, nota-se que o peso já desce mais lentamente pois neste momento já faço uma alimentação praticamente normal, apenas em quantidades muito reduzidas. É comum estar com imensa fome e comer duas colheres e pronto... já chega... passado uma hora já estou de novo com fome...
Depois de meio ano a sopa continua a ser a comida favorita e que não me deixa desconfortável. Iogurtes e leite com cereais são comidas fáceis também, e se antes da operação não comia diariamente, agora fazem mesmo parte da minha rotina alimentar...
Na consulta de avaliação dos seis meses, o Dr Pedro deu-me os parabéns pelos 30 Kg perdidos e por as analises estarem excelentes, por exemplo o colesterol tinha baixado de 235 para 188 sem qualquer medicação, uma noticia excelente, felizmente tudo continua no bom caminho. Levei apenas o raspanete por ter largado o Bipap da apneia, sem autorização médica, mas este foi sem duvida a pior parte de todo o processo, pois nunca consegui dormir mais de três horas com ele.
Os "caga sentenças" agora já dizem:
" Tás tão magra, já nem te conhecia..."
" Tás cada vez melhor mas olha que já está na hora de parar, ou começas a ficar magra demais... "
"O que fizeste? Foi por querer ou estás doente?"
Vamos ter que aprender a viver com estes comentários, mas o resultado final vale bem a pena.
É com grande alegria que entro numa loja e encontro a roupa que gosto, embora ache sempre que não me vai servir. É sem duvida uma grande felicidade constatar que passei dum 48 para um 42, e verificar que comprar roupa deixou de ser um tormento.
Até ao momento faria tudo de novo.
Deixo mais um antes e depois:
Seis meses depois:















































