Comecei a despertar da cirurgia passadas 2, 3 horas, talvez...não sei... perdi por completo a noção do tempo. Ao longe ouvi alguém me dizer que já estava, e que tinha corrido tudo bem... voltei a apagar...
Voltei a ouvir "já está no seu quarto e na sua cama", mas continuei a dormir...
Já era noite quando realmente começo a acordar, com muitas dores no estômago e muita sede... muita sede... a mesma sede que me atormentava desde manhã. Pelos vistos só pedia água (disseram-me mais tarde). Ouvi uma enfermeira dizer "Já lhe trago um bocadinho de água para molhar os lábios" mas que me lembre, nunca chegou.
Durante a noite, mesmo com uma equipa de enfermagem a atender todos os meus chamados através da campainha que me haviam colocado na mão direita, as dores e o mau estar intensificaram-se. Não foi a dor do estômago, que nessa altura já estava controlada, mas uma dor horrível nas costas por estar constantemente na mesma posição (de barriga para cima), e quanto a isso nada havia a fazer. Uma dor forte no ombro também não me deixava movimentar o braço, provavelmente devido aos cateteres por onde me alimentava e me era administrada a medicação.
E o "Lasix"? Quando mo davam tinha que ter um escravo permanentemente para me ajudar a fazer xixi 🙂 Nunca fiz tanto xixi na vida 🙂.
No terceiro dia (quarta-feira), pude finalmente levantar-me e dar algum descanso às costas que tinham sido a minha verdadeira agonia. Já podia sentar-me no cadeirão e já tinha autonomia para ir sozinha ao WC, sempre acompanhada pelo "Boby" e pelo "saco das compras", o suporte rodado do soro e um saco de papel com o dreno.
A dificuldade deste dia, foi encontrar veias... O potássio que me estavam a administrar era muito agressivo e era necessário encontrar outros locais, fui picada várias vezes em vão...
A noite também já correu muito melhor, já conseguia dormir mais de 2 horas seguidas.
A partir do quarto dia (quinta-feira), já era uma pessoa diferente, as dores eram mínimas, apenas uma ligeira dor de cabeça que acusava a privação da cafeína, mas que passava após administração do analgésico.
O astral estava em alta, porque já via perto o dia de regressar a casa.
Recebi também a visita da nutricionista, que me levou o novo plano alimentar, que teria que seguir nos próximos tempos, e alguns conselhos a seguir para o resto da vida...
Meu Deus...
Embora já sabendo de antemão que não iria ser fácil, é sempre um choque...
A minha dieta liquida resume-se a três semanas a beber água de canja, fruta cozida e respectiva água, sopas passadas (mas assim mais liquidazinhas, estão a ver?) 🙂, podem também ser iogurtes líquidos e batidos.
Esta quinta-feira também ficou marcada pelo facto de finalmente ir beber água, uma maravilhosa seringada de 20ml de água, que deveria beber em golinhos pequeninos, que se iria repetir de 2 em 2 horas.
Sexta-feira (quinto dia) a coisa melhorou significativamente...
Pude tomar o meu pequeno almoço... finalmente!
De entre uma enorme panóplia de escolhas, chá, leite ou café (cevada), pude optar por 70ml de leite com um bocadinho de cevada, e como me deliciei... bebendo golinhos pequeninos e devagar como me haviam ensinado, degustando como se do melhor petisco se tratasse.
Ao almoço refastelei-me com 70ml de uma agradável canja, no fundo de um copo, que não era mais que água fervida com sal e após o lanche de mais 70ml de leite com cevada, estava em condições de regressar a casa e iniciar uma nova etapa...
REAPRENDER A COMER...











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