sexta-feira, 25 de maio de 2018

Começar de novo

Comecei a despertar da cirurgia passadas 2, 3 horas, talvez...não sei... perdi por completo a noção do tempo. Ao longe ouvi alguém me dizer que já estava, e que tinha corrido tudo bem... voltei a apagar...

Voltei a ouvir "já está no seu quarto e na sua cama", mas continuei a dormir...


Já era noite quando realmente começo a acordar, com muitas dores no estômago e muita sede... muita sede... a mesma sede que me atormentava desde manhã. Pelos vistos só pedia água (disseram-me mais tarde). Ouvi uma  enfermeira dizer "Já lhe trago um bocadinho de água para molhar os lábios" mas que me lembre, nunca chegou.

Durante a noite, mesmo com uma equipa de enfermagem a atender todos os meus chamados através da campainha que me haviam colocado na mão direita, as dores e o mau estar intensificaram-se. Não foi a dor do estômago, que nessa altura já estava controlada, mas uma dor horrível nas costas por estar constantemente na mesma posição (de barriga para cima), e quanto a isso nada havia a fazer. Uma dor forte no ombro também não me deixava movimentar o braço, provavelmente devido aos cateteres por onde me alimentava e me era administrada a medicação. 
E o "Lasix"? Quando mo davam tinha que ter um escravo permanentemente para me ajudar a fazer xixi 🙂 Nunca fiz tanto xixi na vida 🙂.


No terceiro dia (quarta-feira), pude finalmente levantar-me e dar algum descanso às costas que tinham sido a minha verdadeira agonia. Já podia sentar-me no cadeirão e já tinha autonomia para ir sozinha ao WC, sempre acompanhada pelo "Boby" e pelo "saco das compras", o suporte rodado do soro e um saco de papel com o dreno.


A dificuldade deste dia, foi encontrar veias... O potássio que me estavam a administrar era muito agressivo e era necessário encontrar outros locais, fui picada várias vezes em vão...
A noite também já correu muito melhor, já conseguia dormir mais de 2 horas seguidas.

A partir do quarto dia (quinta-feira), já era uma pessoa diferente, as dores eram mínimas, apenas uma ligeira dor de cabeça que acusava a privação da cafeína, mas que passava após administração do analgésico. 

O astral estava em alta, porque já via perto o dia de regressar a casa. 
Recebi também a visita da nutricionista, que me levou o novo plano alimentar, que teria que seguir nos próximos tempos, e alguns conselhos a seguir para o resto da vida...
Meu Deus...
Embora já sabendo de antemão que não iria ser fácil, é sempre um choque...

A minha dieta liquida resume-se a três semanas a beber água de canja, fruta cozida e respectiva água, sopas passadas (mas assim mais liquidazinhas, estão a ver?)  🙂, podem também ser iogurtes líquidos e batidos. 


Esta quinta-feira também ficou marcada pelo facto de finalmente ir beber água, uma maravilhosa seringada de 20ml de água, que deveria beber em golinhos pequeninos, que se iria repetir de 2 em 2 horas.



Sexta-feira (quinto dia) a coisa melhorou significativamente...
Pude tomar o meu pequeno almoço... finalmente!
De entre uma enorme panóplia de escolhas, chá, leite ou café (cevada), pude optar por 70ml de leite com um bocadinho de cevada, e como me deliciei... bebendo golinhos pequeninos e devagar como me haviam ensinado, degustando como se do melhor petisco se tratasse.



Ao almoço refastelei-me com 70ml de uma agradável canja, no fundo de um copo, que não era mais que água fervida com sal e após o lanche de mais 70ml de leite com cevada, estava em condições de regressar a casa e iniciar uma nova etapa...

REAPRENDER A COMER...





segunda-feira, 21 de maio de 2018

Finalmente o grande dia

Domingo dia 6 de Abril, véspera da operação, era necessário iniciar uma dieta liquida para a preparação da cirurgia:

  • Leite magro
  • Chá
  • Sopa passada (mais liquida)
  • Sumos de fruta
e administrar-me uma injecção às 12 horas.

No dia seguinte apenas poderia beber chá às 7 horas, tendo que me apresentar na clínica às 10.30 horas.
Não posso dizer que o Domingo tenha corrido rápido, mas fiz tudo direitinho e no outro dia à hora marcada lá estava eu. Fui encaminhada ao quarto onde iria permanecer nos próximos 5 dias, quarto 22 - cama 2, um conjunto de 2 que iriam mudar a minha vida.


Mal cheguei, apareceu o Sr. Enfermeiro para começar a "tortura" :) 
Balança, picadelas para aplicação dos cateteres, tirar sangue para analises .
A aplicação dos cateteres tiraram-me desde logo toda a autonomia, "Bolas, eu ainda não estava doente e já tinha que ficar agarrada à cama :)" com a agulha espetada já dificultava pegar num livro para ler, não dava jeito a utilização do telemóvel e era uma tragédia ir ao WC, e o pior, uma sede insuportável que se iria manter nos dias seguintes... a única coisa a fazer era aguardar...

Pelas 15 horas apareceu o Dr. P... para saber como me sentia, "está quase" pensava eu...
Estava bastante ansiosa...


E lá fui, pouco passava das 16 horas... Lembro o tecto a passar, as luzes, a entrada na sala de operações e de duas enfermeiras a prepararem-me enquanto me faziam umas perguntas rotineiras.

Lembro também da anestesista chegar perto de mim, perguntar-me qualquer coisa que já não me recordo... e apaguei-me....



sábado, 19 de maio de 2018

A despedida


Estando consciente de que iria entrar num percurso pouco fácil, tanto fisicamente como psicologicamente, na semana antes da operação despedi-me da vida que tinha conhecido até então, isto quer dizer: pasteis de nata e bitoques, entre outras deliciosas iguarias. Não comi tudo o que desejaria e que me apetecia, mas confesso que dei umas facadinhas na dieta habitual.
Fui também ao cabeleireiro e à esteticista.




No sábado, fui passear à Figueira da Foz, lanchei um "Palmier Recheado" e jantei umas enguias fritas, regadas com vinho verde à pressão, nos Armazéns de Lavos.




Estava 100% consciente que seria a ultima vez que comeria daquela forma e que a partir do dia seguinte tudo iria mudar.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

A luz ao fundo do túnel...

Após a decisão de avançar para a cirurgia, comecei por fazer todos os exames que o Dr P.... me havia mandado fazer, e não eram poucos...

  • Provas ventilatórias
  • Estudo do Sono (Por causa das roncadelas :)
  • Analises
  • Ecografia abdominal
  • Endoscopia
Fevereiro, Março e Abril fui incansável a efectuar todas as consultas e exames que me foram propostos, chegando a passar quase dias inteiros na clínica.
Destes exames foi-me diagnosticado colesterol, gastrite cronica e hipopneia grave.


A hipopneia é a diminuição do fluxo de ar de 30% a 50%, durante o sono. Tinha um índice de 39, isto é, 39 pausas na respiração no período de uma hora. Comecei a dormir ligada a um "ventilador" (BIPAP), o que não se tornou tarefa fácil. A minha esperança é poder largá-lo assim que perder peso.

Com todos os exames efectuados, no inicio de Abril lá fui de novo ao Dr P..., orgulhosamente, por ter todos os exames direitinhos e finalmente dar luz verde para a marcação da operação, que ficou agendada para o dia 07/05/2018.






terça-feira, 15 de maio de 2018

O empurrãozinho que precisamos na altura certa...

Numa consulta de rotina com a médica que me seguia habitualmente, fui aconselhada a ouvir a opinião do Dr. P....que trabalhava numa clínica de Coimbra, que tinha acordo com o meu subsistema de saúde.

Era Dezembro.
Resolvi adiar uns tempos, deixar passar as Festas de Natal e Ano Novo e inserir este assunto nos desejos do ano que iria entrar, evitando assim os stresses das abundâncias desta época.




Finais de Janeiro, ganhei coragem e marquei a dita consulta com o Dr. P...., sem saber muito bem ao que ia. Desconhecia se iria começar programas de dietas ou partiria de imediato para a cirurgia, mas mesmo assim, avancei.




Nessa consulta fiquei a saber que o meu Índice de Massa Corporal (IMC) era de 42 e a partir dos 40 já poderia ser proposta a cirurgia por Obesidade Mórbida.

Surgiu inicialmente o problema financeiro, pois apesar da convenção ainda necessitava pagar mais de 1000 euros. Ponderei o Serviço Nacional de Saúde, mas para tal andaria cerca de 2 anos até ser submetida à intervenção, não tinha a certeza de ter força suficiente para aguentar todo esse tempo, sem desistir...

Resolvi avançar...

Introdução

Nunca fui uma pessoa muito magra. 
Desde os tempo da escola que me destacava por ter uma estatura superior às das outras meninas.



Nunca me senti descriminada por ser um pouco mais cheiinha e até confesso, que sentia algum orgulho quando na adolescência me apelidavam de "mulherão".


Entretanto casei, passei por duas gravidezes, uma delas gemelar, e aos 65 kg adicionei cerca de 15 kg por cada gravidez, ficando a rondar os 90 kg.

Com os 50 anos e a entrada na menopausa, o peso começou a aumentar substancialmente, mantendo o mesmo tipo de alimentação, "roubando" nos alimentos que podia e deixando alguns hábitos menos saudáveis, mas mesmo juntando a isso caminhadas frequentes o peso continuava a aumentar, estando em Janeiro de 2018 com 110 kg.